Duas Luas
DUAS LUAS
Era só uma
criança
Que brincava, ria, cantava...
Conhecia bruxas, fadas, príncipes...
Era só uma criança
Que gritava, embirrava, mas em seguida abraçava a boneca, e se tornava mãe.
Mas, numa noite, o monstro debaixo da cama tomou forma
Esgueirou-se pelo chão
As mãos ásperas e sujas
Levaram a cândida pureza dos lírios
O canto cessou, o riso foi tirado
Era só uma criança
Que se retraiu, fechou-se, deixou de existir
O monstro foi embora
Nunca mais apareceu
Mas a mácula ficou.
Que brincava, ria, cantava...
Conhecia bruxas, fadas, príncipes...
Era só uma criança
Que gritava, embirrava, mas em seguida abraçava a boneca, e se tornava mãe.
Mas, numa noite, o monstro debaixo da cama tomou forma
Esgueirou-se pelo chão
As mãos ásperas e sujas
Levaram a cândida pureza dos lírios
O canto cessou, o riso foi tirado
Era só uma criança
Que se retraiu, fechou-se, deixou de existir
O monstro foi embora
Nunca mais apareceu
Mas a mácula ficou.
Agora ela é uma mulher
E estranhamente, o monstro continua vivo dentro dela
Persegue-a nos sonhos
E estranhamente, o monstro continua vivo dentro dela
Persegue-a nos sonhos
Bloqueia seus desejos
naturais
Ela quer matá-lo, destruí-lo
Mas não consegue
Cansada, deixa-se dominar
pela sombra do passado
E já não come, não dorme,
não vive
Era só uma criança...
Autora: Vanda da Cunha
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